Como cheguei aqui…

Quando fui morar com meus irmãos, tomei mais uma “porrada da vida”…sem mais nem menos, mudaram de empresa, foram para uma terceirizada da Petrobrás por indicação de um amigo, no que acarretaria na partida deles, pois teriam que trabalhar nas plataformas de petróleo… fiquei muito feliz, mas no fundo estava triste pois mais uma vez estava sendo abandonada… Me vi obrigada a voltar para casa da tia Claudia, porque não conhecia ninguém na cidade e não tinha quem pudesse me acolher…

Dinheiro não faltava, pois sempre que possível me mandavam e não me deixava faltar nada. Mas eu só queria meus irmãos…minha família de volta. Além de voltar a trabalhar na casa da tia Claudia ainda tinha que lhe dar dinheiro, pois ela havia combinado com meus irmãos que só me aceitaria de volta caso pagassem minha estadia e eu lhe ajudasse nas tarefas domésticas…

Pagava para morar e pagava para trabalhar … mais ou menos isso…

Nos meus momentos de paz (longe da tia), ia até uma praça para respirar ar puro e fresco. Num desses passeios conheci a Dona Carmem, uma senhorinha muito simpática que havia se mudado À poucos meses para minha rua e que tornou minha melhor amiga. Nunca imaginei ser amiga de uma senhora de idade, mas aconteceu…e mudou minha vida…

A dona Carmem trabalhava como empregada doméstica há mais de 20 anos e estava prestes a se aposentar. Estava muito feliz, pois queria descansar, aliás foram exatos 25 anos de dedicação a uma única família…

No Natal de 2007 a dona Carmem me perguntou se eu não queria ir ajudá-la na organização da festa na casa onde ela trabalhava, pois a idade já não permitia fazer muitas coisas…Não podia negar ajuda à pessoa que me defendia das crueldades da minha tia, me dava comida quando não tinha o que comer, me dava carinho nos meus momentos de saudades e além de tudo, era como se fosse uma mãe…

Trabalhamos muito no dia 24 de Dezembro, iriam ter muitos convidados e precisaríamos fazer muita comida, arrumar toda a casa de modo que ficasse perfeita e modestia parte como cozinho muito bem, fiz delícias na cozinha e graças a Deus só ouvi elogios. A casa estava um “brinco” de limpa e cheirosa. A decoração, árvore de Natal, a mesa do jantar, os presentes, tudo impecável.

Não conheci os patrões da dona Carmem, mas ela me dizia que eram muito especiais e que gostavam muito dela. A dona Carmem estava na família há mais de 20 anos e viu o seu patrão nascer…Ela praticamente cuidou da geração passada do seu patrão e agora estava cuidando da geração futura. Ou seja, os filhos dele.

Acho que naquele dia, foi a primeira vez que senti o calor de uma família, desde que meus pais se foram. A união, a alegria, a felicidade reinava naquele lugar. Da cozinha eu ouvia as gargalhadas das pessoas, os bate papos, a empolgação e o espírito natalino… No ano novo, fui convidada a trabalhar com a dona Carmem e mais uma vez deu tudo certo.

Daquele dia em diante não saí mais do seio daquela família e já faz exatos 6 anos que trabalho com eles…

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Crédito: blog.cancaonova.com

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