Minha história … Parte 2

Quando o patrão do meu pai faleceu de ataque cardíaco a primeira atitude de família foi vender o sítio que o Sr. Oswaldo tanto gostava. Ele pouco aparecia, por ele ser muito ocupado. Mas pelo menos duas ou três vezes ao ano, a dona Elis e o sr. Oswaldo apareciam por lá e ficavam quase uma semana. Eles amavam aquele lugar, diziam que era um cantinho do céu, um refúgio, uma forma de esquecer todos os problemas e descansar do trabalho na capital.
Sempre que o sr. Oswaldo aparecia era motivo de alegria para nossa família. Ele sempre trazia presentes para meus irmãos e meus pais e sempre nos tratou muito bem. Acontece que a fatalidade que assolou a família do Sr Oswaldo, acabou desestruturando toda a família, eles sofreram muito a morte do chefe da família o que acabou nos atingindo.
Meu pai desempregado com a venda do sítio, não tíamos mais as verduras para colher, pois apesar do terreno que meu pai plantava ter sido um presente, o Sr Oswaldo não documentou o mesmo em nome do pai e seus filhos acabaram vendendo todo o sítio para o fazendeiro vizinho.
Meu pai se viu totalmente em possibilidades e oportunidades naquela cidadezinha tão pequena e tomou a decisão de irmos para São Paulo…
Primeiro ele foi, ficou um ano separado da família, enquanto isso meus irmãos, mamãe e eu ficamos em Borá para terminar os estudos e tentar vender a nossa linda casinha…Enquanto isso meu pai mandava dinheiro para irmos pagando as contas. Ele conseguiu um emprego de pintor residencial e estava morando na casa da tia Claúdia, irmã da mamãe, que já morava na capital a uns 10 anos.

Um ano depois papai apareceu em Borá para nos buscar… Foi o dia mais feliz da minha vida rever o meu pai querido. Levou uma semana para arrumarmos nossas coisas, apenas as roupas, pois tivemos que deixar tudo o que era nosso para trás, trancado na nossa casa, já que não conseguimos vendê-la. Pegamos o ônibus na rodoviária e partimos para a grande metropole.

Quando chegamos em São Paulo em 2000, me deparei com um novo mundo, uma cidade maior do que eu imaginava, pessoas diferentes, que falavam diferentes, muito carro, muito onibus, muito trânsito. Um corre corre, pessoas para lá e para cá, pareciam estar com muita pressa, queriam chegar em algum lugar, todos de uma vez. Tive a impressão de estar perdida, de desconhecer que lugar era aquele, mas ao mesmo tempo, fiquei encantada com os grandes arranha-céus, as construções antigas, carros importados jamais vistos pelos meus olhos, ruas enormes, mansões.

 

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Biografia e Infância

          Bom, não sou lá essas escritoras, que escrevem palavras, poemas ou frases bonitas, mas através de simples palavras tento descrever, sentimentos, emoções, “coisas”, e a vida. Como gosto de descrever sobre a vida, contar detalhes, ler e aprender coisas novas.
          Nasci no interior de São Paulo, na cidadezinha de Borá. Quando digo “cidadezinha” é porque ela é conhecida como o menor município do Brasil, claro que não é tão conhecida assim…É a melhor cidade do Mundo. Se dependesse de mim, não trocaria por nada
aquele lugar. Bom, mas tive que trocar…Tenho apenas 25 anos, mas uma maturidade de uma pessoa de 40 anos e espírito de uma de 15 anos. Moro sozinha e trabalho como empregada doméstica na casa de pessoas maravilhosas em São Paulo. 

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          Vivi uma infância maravilhosa com meus pais amados, dona Sonia e seu José. Meus irmãos Paulo, Marquinhos, Ana e Maria completavam minha família…uma verdadeira família. Minha mãe cuidava do lar e dos 5 filhos com muito amor, dedicação e disciplina, meu pai trabalhava em um sítio bem próximo da cidade.

          Praticamente 99,99% da cidade de Borá conhecia nossa família porque minha mãe vendia verduras e legumes vindos do sitio que meu pai trabalhava. Tínhamos uma pequena barraca vermelha montada na porta da nossa casa. Todos os dias pela manhã meu pai colhia os legumes e verduras fresquinhas na horta e levava para nossa barraca no qual vendíamos praticamente tudo.

          O chefe do meu pai era um homem muito rico e em gratidão aos mais de 20 anos de trabalho do meu pai, lhe presenteou com um “pedacinho” de terra para que dela pudéssemos aumentar nossa renda familiar. Foi aí que a mamãe teve a ideia de criar uma horta, algumas galinhas e porcos. Então todos os dias, o pai levantava muito cedo, ía até o sítio, fazia a colheita dos legumes maduros, levava até a mamãe e voltava para cuidar da fazenda.

          Meu pai era muito trabalhador e preocupava-se por demais da nossa família, porque, como ele próprio dizia, nós éramos o seu bem mais precioso. A mamãe, não tenho nem palavras para descrever o quão amorosa ela era com suas crias.

          Todos os dias pela manhã, eu e meus 4 irmãos ia para a escola. Até o término do 2º Grau, não me lembro de ter faltado a uma aula se quer. Mesmo doente, e eu meus irmãos tínhamos que ir para a escola e todo o final do mês mostrar os nossos resultados da escola. Nos formamos com louvor, sem nenhuma nota vermelha, faltas, atrasos ou advertências por mal comportamento.

          Paulinho e Marquinhos eram irmãos gêmeos, não tão idênticos, mas nasceram no mesmo dia, Já Aninha era a mais velha dos meninos, Maria era a do meio e eu a caçulinha. O bebê da casa, a queridinha de todos…

          Quando o papai decidiu que teríamos que deixar nossa cidade, foi como se o Mundo estivesse caindo sobre nossas cabeças, mas tivemos que aceitar… aliás, não tivemos nenhuma escolha se quer…