Minhas férias – Parte I

Oi Pessoal,

Geralmente, programo minhas férias para Junho, porque sempre gostei desse Mês… e de qualquer forma, Dezembro, Janeiro e Julho é quase impossível eu tirar, pois as crianças estão de férias escolares e é quando meus patrões mais precisam de mim, devido a bagunça que fazem na casa. Imagina deixar duas crianças e dois adolescentes dominando a casa. Imagina a bagunça!rsrs….E além dos mais meus patrões precisam trabalhar…

Mas esse ano devido a Copa do Mundo, as coisas ficaram complicadas, porque os meus patrões irão precisar muito de mim no quesito organização e manutenção da casa, pois na maioria dos jogos do Brasil, amigos e parentes deles, irão assistir aqui. Aí já viu né? a “farra será boa..mas a bagunça também…. rsrsrs

Quando estou de férias, sempre vou para a casa dos meus irmãos, fico uma semana por lá… depois viajo por aí, para conhecer qualquer lugar. Como economizo muito morando na casa dos meus patrões e não tenho gasto com quase nada, sempre reservo dinheiro para conhecer algum lugar. Isso renova as minhas forças… e me sinto muito bem…

Já conheci alguns lugares como Bonito – Mato Grosso do Sul, as Cataratas do Iguaçu – Paraná, o Rio de Janeiro, Floripa – Santa Catarina e Barretos – São Paulo. Todos esses lugares foram visitados de ônibus com uma turma de excursão maravilhosa que conheci através de uma amiga dos meus irmãos. Todos os anos no mês de Junho cerca de 25 pessoas se reúnem para conhecer algum lugar do nosso Brasil (acho que esse deva ser um dos motivos que me faz gostar tanto do mês de Junho..rsrsr). Mas esse ano A Copa do Mundo também influenciou meus amigos “viajantes” a suspender a excursão para o mês de Agosto. Então, tudo combinado por aqui, minhas férias estão agendadíssimas para Agosto e vamos conhecer nada mais nada menos que Gramado – RS. Estou super-hiper-mega ansiosa para conhecer esse pedacinho do Paraíso chamado Gramado…

Geralmente os passeios são de apenas 1 semana, mas isso basta para nos divertirmos horrores, porque é tudo muito bom: as pessoas, os lugares, os hotéis, os roteiros, a comida, e cada coisa nova que conhecemos.
Quando volto das férias, fico no meu quarto, trancada… só descansando e recarregando as baterias para voltar à dura rotina da #vidadeempregada.

Ps: Assim que iniciarem minhas férias pretendo postar os melhores momentos aqui no meu Blog! Fiquem ligados!

Crédito: creditocelular.com

Crédito: creditocelular.com

Concurso Público: Foco, Força e Fé

Esse final de semana encarei pela primeira vez, um dois meus maiores medos: a temida concorrência em um Concurso Público.

No domingo teve o concurso para Auxiliar de Promotoria do Ministério Público. Não achei difícil a prova, mas também acho que não passei. Seria muita pretensão da minha parte gritar que já passei, mesmo porque acertei apenas 80% da prova (conferido gabarito) e a quantidade de vagas é muito limitada.

Bom, mas como diz meu irmão: vamo que vamo! Pretendo começar a revisar todo o conteúdo do segundo Grau para começar a encarar outros concursos… não posso esquecer, claro, da minha faculdade, que por sinal é muito puxada e ocupa muito do pouco tempo livre que me sobra.

(***) Acho que não só eu, mas 99,999% da população sonha em ser um funcionário público, visando principalmente a estabilidade e os atrativos salariais. Desde que voltei a estudar já vinha com planos para me dedicar ao concurso público, mas era algo que estava em um dos últimos planos, pois não me via muito capaz de conseguir tal proeza. Até que consegui entrar na faculdade e tirar muito boas notas, minha motivação atingiu Level 100. rsrsrs..

Apesar de gostar muito do que faço (ser empregada doméstica), eu preciso pensar muito no meu futuro, pois não sei se amanhã ainda estarei trabalhando aqui, ou se meus patrões vão me querer ainda. Preciso pensar em crescer e não ficar na “mesmice” de sempre. Preciso ter foco e pensar que posso alcançar algo muito maior do que já conquistei até agora.

Amor aos Cães

Sou simplesmente apaixonada por animais: desde formiguinhas à elefantes…

Quando eu morava em Borá (interior de SP) tínhamos 2 cachorros e um gato. O Golias, a Bibi e a gatinha Katy. Eram nossos xodós. O Golias era meu melhor amigo, um pastor alemão que ganhei dos antigos patrões do meu pai. Era enorme, cor caramelo com rajadas pretas. Era maior que eu, meu guarda-costas, meu grande companheiro. A Bibi, uma cadelinha vira-lata, era um doce e muito manhosa. A gata Katy, só faltava falar de tão mimada que era. Quando fomos morar em São Paulo, tivemos que doar todos para uma vizinha.

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Na casa dos meus patrões, todos são apaixonados por cães. Quando cheguei lá, me deparei com dois labradores a coisa mais linda do Mundo. Especialmente dóceis, educados e muito bem treinados. Um casal de cor caramelo, a Cherry e o Borys, me encantei logo de cara. Chegaram na casa ainda filhotes, hoje eles têm 8 anos. São o rei e rainha da casa!

Ano passado meus patrões adquiriram um casal de Golden Retrieve ainda filhotes, Leona e Kolly, são uns amores, mas muito brincalhões. Adoram pular, correr, latir. Bem diferente dos labradores, mas acredito que seja por conta da idade e por ainda não serem treinados. Em Outubro, eles farão 1 ano, e a partir da semana que vêm já vão começar a ser treinados pelo mesmo adestrador da Cherry e do Borys. Estamos todos ansiosos, porque os dois são muito “danados” e bagunceiros, mas amamos muito esses “pestinhas”.

Dia 1 de abril, chegou o mais novo membro da família, a Lilica, uma Maltês de 6 meses, a coisinha mais branca, fofa e peluda que eu já vi. Ela foi doada para meus patrões, através de uma vizinha do condomínio que estava de mudança para a Holanda, pois iria morar com seu filho por lá. Foi amor à primeira lambida (rsrs). Acho que ela também gostou de mim, não é à toa que na primeira semana a cadelinha não saia do meu pé. Não conseguia terminar meus serviços domésticos, acabou atrasando toda a minha rotina. Mas foi por uma boa causa… A Lilica andava para lá e para cá atrás de mim. Umas semanas depois, ela já estava dormindo no quarto comigo. E hoje praticamente ela me adotou como “sua dona”. Ao lado da minha cama, coloquei sua caminha e por lá ela fica…
Tenho que me desdobrar em cuidar da casa e da Lilica. Ela não aceita que ninguém cuide dela: Só eu! É muito manhosa e carente. Acho que todo esse comportamento, foi devido à falta que a dona anterior lhe fez. Ela gruda em mim o dia inteiro. Mas em compensação é muito inteligente e obediente (quer dizer, só obedece à mim).

Ela se tornou meu despertador… a razão para continuar … um dos motivos da minha alegria diária… com ela, não tenho mal-humor, dor de cabeça, não me sinto sozinha.
Entre um espirador de pó e uma vassoura, lá está a Lilica… minha companheira fiel…

 

 

Minha casa é meu trabalho…meu trabalho é minha casa…

Olá,

Hoje vou descrever um pouco sobre minha casa/meu local de trabalho. Inicialmente tive que pedir permissão aos meus patrões para escrever esse Post. Porque iria descrever a casa deles e não a minha casa. Contudo, desde que cheguei aqui, sempre me senti em casa.

Moro em um condomínio residencial fechado, extremamente seguro. (Já viu aquelas residências que aparecem na TV?) Pois bem, o condomínio é rodeado por um muro muito alto que protege todo o residencial, além de rede elétrica por todo o entorno e inúmeras câmeras de segurança. As casas não tem muros, são separadas por ruas e grandes lotes. A maioria das casas têm piscina e umas se diferenciam das outras.Possui uma linda entrada, para pedestres / carros e duas guaritas para controlar a entrada e saída de carros e pedestres.

Crédito: dantassantosdallagnol.blogspot.com

Crédito: dantassantosdallagnol.blogspot.com

Além da particularidade de cada casa, o condomínio dispõe de muitas áreas de lazer para todas idades. Um lago para praticantes de pesca, pistas de skate, bike, 3 piscinas adulto-infantil, quadras de futebol, vôlei, basquete e tênis, pista de caminhada, sauna dentre outras coisas. Muitas vezes esqueço que moro em São Paulo e não me canso de ver tanta beleza.

A casa dos meus patrões é a coisa mais linda de se ver. Possui 6 suítes, uma sala de jantar e uma sala de visitas, uma sala de TV, com poltronas estilo cinema e uma grande TV. A cozinha é muito grande e super moderna. Atrás da casa fica uma linda piscina em formato de “gota” e se integra à área da churrasqueira, onde são realizados muitas confraternizações em família. Todas as festas são realizadas naquela área e algumas vezes dentro de casa, na enorme sala.

Créditos: construindominhacasaclean.blogspot.com

Créditos: construindominhacasaclean.blogspot.com

Após o grande jardim que se integra à área da piscina fica localizada a casa dos empregados, é como se fosse um anexo da mansão. Lá têm 3 quartos com banheiro, uma pequena sala de estar com sofá, TV e aparelho de som. Tem ainda um corredor que dá acesso à área de serviço da mansão.

Meu quarto é só meu. Cuido dele com muito carinho. Deixo sempre em ordem e é todo decorado ao meu gosto. Desde que cheguei nessa casa, quis me sentir bem. E sinto-me muito bem. Os outros quartos estão vazios atualmente, porque a cozinheira vai para casa todos os dias. E como as crianças já são maiores, meus patrões preferiram por não ter mais motorista.

O condomínio em si, é maravilhoso! A casa, então: fantástica! Meus patrões: não tenho palavras para agradecer o que fazem por mim. Mas meu cantinho preferido é realmente meu quarto. Porque lá, consigo ter meu momento comigo mesma, consigo planejar minha vida, ter minhas ideias, fazer minhas pesquisas e viajar no Mundo da leitura. Lá fico alheia, a todos os problemas ao meu redor. Meu quarto é meu Mundo!

Créditos: danigroichan.tumblr.com

Créditos: danigroichan.tumblr.com

Minha Rotina: como me organizo…

Primeiramente quero deixar BEM claro que meus patrões nunca impuseram nenhuma regra (“você é obrigada a fazer isso, porque pago seu salário”), pelo contrário, exigentes são, mas não carrascos. Querem a casa limpinha, organizada dentro dos horários estabelecidos e dentro do meu tempo. Eles sempre me deixaram livre para arrumar a casa, e foi nesse emprego que tive que aprender a administrar meu tempo. No início foi muito difícil, pensei que nunca conseguiria. As vezes meus patrões chegavam para almoçar e eu ainda estava arrumando a sala de jantar, ou chegavam para jantar e eu ainda estava lavando os banheiros… rsrsrs…Nunca brigaram comigo, pelo contrário, me ajudaram e muito nessa fase de adaptação.

Até que meu patrão me deu um artigo para ler sobre administração do tempo…achei simplesmente fantástico e daquele dia em diante iria criar uma rotina, a minha rotina diária.

Cedo – Bem Cedo

05:00h – Acordar para preparar o café da manhã 05:45h – Acordar as crianças para escola 06:00h – Alimentar os cachorros 06:30h – Colocar as crianças na perua escolar 07:00h – Tomar café da manhã 07:30h – Tomar banho

Pela manhã

08:00h – Arrumar a casa todos os dias * segunda e sexta = faxina grossa * Terça = limpar janelas e faxina no meu quarto * Verificar se será necessário chamar o piscineiro ou jardinheiro (terceirizado) 11:30h – Segunda, Quarta e Sexta = roupas sujas/máquina

À tarde

13:00h – Almoçar * descanso-almoço até as 15:00. Esse tempo utilizo para revisar a matéria da faculdade e/ou descansar. 15:00h – Alimentar os cachorros 16:00h – Buscar as crianças no portão (chegada da escola), prepará-los para o banho. 17:30h – Fim do expediente

À Noite

18:00h – Tomar banho 18:30H – Estudar 21:00h – Atualizar o Blog, entrar na internet

* Trabalho de Segunda à Sexta. * Toda Sexta-feira saio às 15:30h. * Três sextas-feiras no mês – aula na faculdade. * Atualizo minhas matérias da faculdade todos os dias. * Minha casa é meu trabalho…meu trabalho é minha casa.

Vida Nova, Novo emprego!

Dia 20 de Janeiro de 2008 fui contratada para trabalhar na mesma casa que a Dona Carmem trabalhou por 25 anos. Fui praticamente sua substituta. Ela me treinou, ensinou tudo o que ela sabia, explicou sobre a movimentação da casa, contou-me sobre cada um dos residentes naquele local (os donos), suas manias costumes, qualidades e até defeitos… ela conhecia cada fio de cabelo daquela família… Um mês depois ela se foi daquela casa para desfrutar sua aposentadoria…

No dia da contratação meu novo patrão e minha patroa me entrevistaram porque a dona Carmem deu ótimas referências. Acho que de cara gostaram de mim e pediram que no dia seguinte já trouxesse toda minha documentação para iniciar meu novo serviço.

No primeiro dia fui apresentada ao meu novo quarto. Tudo novinho, limpinho e cheiroso. Optei por morar no trabalho, por questões óbvias. A dona Carmem dormia lá apenas às segundas-feiras, pois ela tinha marido e filhos e precisava também dedicar-se ao seu lar. Quando entrei nele a primeira vez, fiquei muito emocionada, pois sabia que aquele cantinho era meu, só meu e não ia precisar dividir com ninguém. Tudo era especialmente branco naquele quarto: Minha cama, meu guarda-roupas, uma cômoda ao lado e um banheiro todo branquinho. O guarda roupas, muito espaçoso, cabia todas as minhas coisas e ainda sobrava. Dentro ainda havia um edredom para os dias de frio, um travesseiro e alguns lençóis e toalhas de banho para trocas.Tudo meu! rsrs… Bom, quando fui apresentada ao meu novo quarto minha própria patroa me disse que tudo naquele quarto era meu até quanto eu estivesse lá e tinha como dever conservá-los.

Dentre as minhas funções estava: acordar às 05hs para organizar o café da manhã para a família, até que a cozinheira chegasse (às 08hs), a partir daí realizar a limpeza e organização da casa, limpar os vidros das janelas 3 vezes por semana, lavar banheiros, entrar em contato com jardineiros e piscineiros (quando fosse preciso), cuidar para que todo o serviço de limpeza da casa estivesse dentro da perfeita ordem…Cuidar da alimentação dos cães da casa e por fim, o único cômodo da casa que não limpava era a cozinha…a mesma era de total responsabilidade da cozinheira, que a organizava e deixava a comida pronta.

Não vou dizer que sempre tive sonho de ser uma empregada doméstica, mas quando me ofereceram esse cargo era a oportunidade que tive de me livrar da minha tia e precisava de um ponto de partida para reiniciar minha vida. E porque não? Não vejo problema nenhum em ser empregada doméstica, aliás esse trabalho não é para qualquer um…

Crédito: noticias.universia.com.br

Crédito: noticias.universia.com.br

 

Como cheguei aqui…

Quando fui morar com meus irmãos, tomei mais uma “porrada da vida”…sem mais nem menos, mudaram de empresa, foram para uma terceirizada da Petrobrás por indicação de um amigo, no que acarretaria na partida deles, pois teriam que trabalhar nas plataformas de petróleo… fiquei muito feliz, mas no fundo estava triste pois mais uma vez estava sendo abandonada… Me vi obrigada a voltar para casa da tia Claudia, porque não conhecia ninguém na cidade e não tinha quem pudesse me acolher…

Dinheiro não faltava, pois sempre que possível me mandavam e não me deixava faltar nada. Mas eu só queria meus irmãos…minha família de volta. Além de voltar a trabalhar na casa da tia Claudia ainda tinha que lhe dar dinheiro, pois ela havia combinado com meus irmãos que só me aceitaria de volta caso pagassem minha estadia e eu lhe ajudasse nas tarefas domésticas…

Pagava para morar e pagava para trabalhar … mais ou menos isso…

Nos meus momentos de paz (longe da tia), ia até uma praça para respirar ar puro e fresco. Num desses passeios conheci a Dona Carmem, uma senhorinha muito simpática que havia se mudado À poucos meses para minha rua e que tornou minha melhor amiga. Nunca imaginei ser amiga de uma senhora de idade, mas aconteceu…e mudou minha vida…

A dona Carmem trabalhava como empregada doméstica há mais de 20 anos e estava prestes a se aposentar. Estava muito feliz, pois queria descansar, aliás foram exatos 25 anos de dedicação a uma única família…

No Natal de 2007 a dona Carmem me perguntou se eu não queria ir ajudá-la na organização da festa na casa onde ela trabalhava, pois a idade já não permitia fazer muitas coisas…Não podia negar ajuda à pessoa que me defendia das crueldades da minha tia, me dava comida quando não tinha o que comer, me dava carinho nos meus momentos de saudades e além de tudo, era como se fosse uma mãe…

Trabalhamos muito no dia 24 de Dezembro, iriam ter muitos convidados e precisaríamos fazer muita comida, arrumar toda a casa de modo que ficasse perfeita e modestia parte como cozinho muito bem, fiz delícias na cozinha e graças a Deus só ouvi elogios. A casa estava um “brinco” de limpa e cheirosa. A decoração, árvore de Natal, a mesa do jantar, os presentes, tudo impecável.

Não conheci os patrões da dona Carmem, mas ela me dizia que eram muito especiais e que gostavam muito dela. A dona Carmem estava na família há mais de 20 anos e viu o seu patrão nascer…Ela praticamente cuidou da geração passada do seu patrão e agora estava cuidando da geração futura. Ou seja, os filhos dele.

Acho que naquele dia, foi a primeira vez que senti o calor de uma família, desde que meus pais se foram. A união, a alegria, a felicidade reinava naquele lugar. Da cozinha eu ouvia as gargalhadas das pessoas, os bate papos, a empolgação e o espírito natalino… No ano novo, fui convidada a trabalhar com a dona Carmem e mais uma vez deu tudo certo.

Daquele dia em diante não saí mais do seio daquela família e já faz exatos 6 anos que trabalho com eles…

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Crédito: blog.cancaonova.com

Sem meus Pais…

A tia Claudia nunca foi uma boa pessoa, mãe, muito menos uma boa tia. Sempre arrogante, dona da razão, impiedosa, muito rígida com os filhos e sobrinhos, rancorosa e ambiciosa, muito ambiciosa… só pensava em dinheiro e em ser rica. Tinha três filhos (um de cada pai), e nunca conseguiu um casamento sólido, feliz e muito menos um homem rico. As três gestações foram indesejadas, mas como o que importava para ela, era o dinheiro, a pensão alimentícia, casar-se era o de menos.

Morar na casa da tia Claudia não foi tarefa muito fácil, alias, foi uma prova muito difícil de passar, mas graças à minha irmã, que me ajudou incondicionalmente até minha definitiva recuperação.

Minha irma Maria começou a trabalhar como recepcionista de uma pequena imobiliária do Bairro que morávamos. Emprego conseguido por uma vizinha. Ainda tinha três anos de escola pela frente e meu maior sonho naquela época era completar 18 anos e sair daquela casa com minha irmã. Até que ela arranjou “o amor da vida dela” e foi embora, quer dizer, foi morar com ele. A Ana (a fugitiva rsrs), nunca mais tivemos notícias, depois que ficamos sabendo que ela havia ido morar no Rio de Janeiro com o namorado e três amigas. Meus irmãos gêmeos continuavam morando na mesma casa alugada por meu pai e estavam indo muito bem no trabalho, um deles já havia até sido promovido a supervisor em menos de 2 anos na empresa. Sempre que dava nos encontrávamos, foram os únicos que ainda não havia me abandonado.

Tive que aprender a caminhar com minhas próprias pernas. Não tinha apoio de ninguém, pelo contrário, minha tia só dificultava minha vida. Eu tinha que lavar, passar, cozinhar para todos, levar e buscar meus primos na escola, ser babá enquanto ela ia para as festas, não tinha tempo para me dedicar à minha escola então ela me deu duas opções: “ou a escola ou um teto!”… Optei pelo teto, já que não tinha para onde ir. Consegui pelo menos concluir o primeiro ano do ensino médio e definitivamente passei a ser sua empregada doméstica, quer dizer, sua escrava doméstica…

Um belo dia resolvi mudar (parece letra de música…rsrsrs), estava cansada daquela vida sofrida, sem amor, carinho, sem crescimento, aliás ela era minha tia, eu não havia feito nada para me odiar tanto, apesar de saber que ela odiava o Mundo e descontava todas as suas mazelas em mim… Dois anos depois, aos 17 anos fui morar com meus irmãos. Me aceitaram de braços abertos. Tia Claudia bem que tentou me levar de volta para casa mas meus irmãos à ameaçou procurar a justiça e denunciá-la por abandono de incapaz, já que sempre fugia à noite para as suas noitadas e deixava as crianças comigo…

Senti que minha vida estava começando a melhorar…

A volta e Tragédia

Como se não bastasse abandonar tudo o que meus pais já haviam conquistados na Capital, tivemos que passar por mais um problema que não estava programado. Meus irmãos, já maiores de idade e responsáveis por suas vidas (segundo eles), estavam gostando muito da independência e dos atrativos da cidade grandebateram o pé firme e não aceitaram voltar para Borá. SEndo assim, assumiriam o aluguel da casa e continuariam a trabalhar na fábrica. Minhas irmãs, tomaram uma atitude mais drástica: uma fugiu com um namorado que nem nós conhecíamos e a outra como no próximo mês já faria 18 anos, decidiu morar com a nossa tia, ajudando-a a cuidar da casa, e dos filhos da mesma.

Papai sofreu muito com essa divisão na família, foi muito difícil irmos embora deixando metade de nós em São Paulo.

Assim, pegamos o ônibus e voltamos para Borá… A partir daí só me lembro acordando em uma cama de hospital, entubada, os meus irmãos ao meu lado, chorando muito, minha mão esquerda muito ferida e minha perna engessada. Acordei dias depois….

Uma semana depois do acidente que levou embora meus amados pais, emfim, acordei. Me contaram tudo o que aconteceu: lembro que estava chovendo muito, o onibus derrapou na pista….e acordei no hospital uma semana depois. Meus pais e mais 20 pessoas não resistiram aos ferimentos. Não acreditei no que estavam me contando, pensei que era um sonho…queria que fosse um sonho, mas infelizmente eles se foram e me deixaram sozinha, abandonada, sem forças para continuar. Meus pais eram tudo para mim, mas Deus quis assim.

O acidente havia sido à quinze minutos de São Paulo e todos os envolvidos foram encaminhados para o hospital geral da cidade. Fiquei uns 15 dias por lá, e quando finalmente estava 60% recuperada, voltei para casa. Não para minha, mas para casa da minha tia. Não tinha para onde ir…era menor de idade…não podia ficar com meus irmãos, minha única opção era minha tia.

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